A destruição de 22 dragas, a apreensão de ouro bruto e a prisão de suspeitos durante uma operação conjunta das polícias Federal e Militar voltaram a chamar a atenção para os desafios enfrentados pelo Rio Verde, um dos principais cursos d’água do Sul de Minas. A ação revelou a presença de garimpo ilegal em diferentes trechos do rio e reacendeu o debate sobre os impactos ambientais provocados pela atividade.
A operação, realizada em seis municípios da bacia do Rio Verde, identificou uma estrutura organizada de exploração clandestina. Entre os investigados estão moradores da região e pessoas vindas de estados tradicionalmente ligados ao garimpo, como Goiás e Pará.
Segundo as autoridades, foram destruídas 22 dragas utilizadas na extração ilegal de minerais, além da apreensão de ouro em natura, embarcações, motores, veículos e outros equipamentos. Ao todo, cerca de R$ 380 mil em bens foram recolhidos durante a ação.

Foto: Polícia Militar Ambiental
Garimpo preocupa autoridades ambientais
Mais do que a busca pelo ouro, o que preocupa os órgãos ambientais são os danos causados ao ecossistema do Rio Verde. De acordo com o Ibama, a atividade das dragas provoca o revolvimento constante do leito do rio, aumentando a turbidez da água e comprometendo a vida aquática.
Além disso, existe o receio de contaminação por mercúrio, substância frequentemente associada à atividade garimpeira. O metal pesado pode atingir peixes, outros organismos aquáticos e até sistemas de abastecimento utilizados por municípios da região.
Por ser um importante manancial, qualquer alteração na qualidade da água gera preocupação não apenas ambiental, mas também social e econômica.
Um histórico de ameaças ao rio
Esta não é a primeira vez que o Rio Verde enfrenta pressões ambientais. Ao longo dos anos, o curso d’água já foi impactado por processos de assoreamento, descarte irregular de resíduos, ocupações em áreas de preservação e outros problemas que afetam sua qualidade ambiental.
Agora, a descoberta de pontos de garimpo ilegal acrescenta mais um desafio à preservação do rio. Para especialistas, combater a atividade clandestina é fundamental para evitar danos que podem levar anos para serem revertidos.
Investigações continuam
As autoridades seguem apurando a origem do ouro apreendido, a atuação dos envolvidos e a extensão dos danos ambientais causados pela exploração ilegal. Também será necessário avaliar os impactos sobre a fauna, a flora e a qualidade da água ao longo dos trechos atingidos.
Enquanto as investigações avançam, a operação deixa um alerta: a preservação do Rio Verde depende da fiscalização constante e do combate a atividades que colocam em risco um dos mais importantes patrimônios naturais do Sul de Minas.
Por Lucas Maciel | Editor São Lourenço Jornal





