Com a proximidade da Copa do Mundo, cresce o interesse pela coleção de álbuns de figurinhas. Refletindo sobre essa tradição, percebe-se a profundidade que ela carrega, pois, além de colecionar imagens, colecionamos também lembranças e sentimentos. Essa experiência nos remete a um tempo em que a expectativa e a espera eram valorizadas, algo que, de certa forma, se perdeu no ritmo acelerado da sociedade contemporânea.
A aquisição de um pacote de figurinhas envolve a expectativa do que será revelado. Essa espera é um exercício importante de controle da ansiedade e um lembrete de que o tempo e o desenrolar dos acontecimentos possuem suas próprias cadências, nem sempre alinhadas com nossos desejos.

A abertura de um pacote pode gerar alegria, ao encontrar uma figurinha inédita, ou frustração, ao deparar-se com uma repetida. No entanto, mesmo a repetição apresenta uma oportunidade: a interação social. A troca de figurinhas promove o convívio, algo que, frequentemente, é negligenciado em favor do tempo dedicado às mídias digitais. Essa interação estimula a comunicação, a negociação, o diálogo e o contato pessoal, tanto entre amigos e familiares quanto com desconhecidos.
Além de todas essas vantagens, há um aumento da frequência de pessoas em espaços públicos, como praças e parques, dedicadas à troca de figurinhas. Nesses locais, as relações vão além da simples troca de imagens; são resgatados valores como o encontro, a partilha e a negociação, elementos importantíssimos para o desenvolvimento, especialmente das crianças.
Portanto, o valor de um álbum de figurinhas transcende o aspecto financeiro. Ele representa um investimento em experiências, em vínculos e em valores que enriquecem a vida de maneira significativa.
Mais que colecionar figurinhas, essa vivência é uma coleção de momentos que ficarão pra sempre na memória e no coração!
Por: Simone Gannam Lage Ribeiro



