Hélio Silva, de 55 anos, é apontado pelos investigadores como financiador de um esquema de compra, armazenamento e distribuição de entorpecentes na região
O presidente da Câmara Municipal de Sumaré, Hélio Silva (Cidadania), foi preso nesta quarta-feira (9) durante uma operação da Polícia Federal que investiga um grupo suspeito de atuar no tráfico de drogas. De acordo com as investigações, o vereador seria responsável por financiar parte das atividades criminosas.
Segundo a PF, Hélio era conhecido pelo apelido de “Mister M” e teria colocado imóveis e empresas ligados a ele à disposição do grupo. Os investigadores também apuram a utilização de dinheiro de origem ilícita em atividades relacionadas à política e às eleições.
A investigação identificou, entre janeiro e agosto de 2026, situações nas quais Hélio teria recebido sacolas que aparentavam conter dinheiro. Conforme relatado pela Polícia Federal à Justiça, posteriormente esses volumes teriam sido colocados em um veículo oficial da Câmara Municipal.
Imóveis teriam sido usados pelo grupo
Ainda segundo a investigação, propriedades relacionadas ao vereador estavam registradas em nome de empresas, mas os endereços não apresentavam atividade empresarial compatível com os negócios declarados.
Um dos imóveis também era utilizado, de acordo com os investigadores, para guardar armas de fogo que pertenciam a Hélio. Entre o armamento identificado havia um fuzil e pistolas.
A Polícia Federal aponta ainda que o vereador teria participado do financiamento para aquisição de drogas que posteriormente seriam armazenadas e distribuídas a pontos de tráfico em Sumaré e cidades da região.
Sítio é alvo de buscas
A operação recebeu o nome de Archimagus e foi coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) de Campinas. A força reúne agentes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar e Polícia Civil de São Paulo, além de guardas municipais de Paulínia.
Ao todo, foram expedidos dois mandados de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão. As medidas foram cumpridas em endereços de Campinas, Sumaré e Vinhedo, no estado de São Paulo, e também em Jacutinga, no Sul de Minas.
Entre os imóveis vistoriados está um sítio que, conforme as suspeitas levantadas durante a investigação, poderia estar sendo utilizado para armazenamento de drogas.
Trajetória política
Hélio Silva tem 55 anos, nasceu em Porteirinha, no Norte de Minas Gerais, é casado e tem oito filhos. De acordo com informações da Câmara de Sumaré, ele trabalha como empresário no setor de comércio varejista de materiais para construção.
O político foi eleito vereador pela primeira vez em 2016 e conseguiu um novo mandato em 2020. Nas eleições municipais de 2024, foi reeleito com 1.916 votos.
Em janeiro de 2025, Hélio assumiu novamente a presidência da Câmara Municipal de Sumaré, cargo que ocupa no biênio 2025/2026. Ele também é candidato a uma vaga de deputado federal nas eleições de 2026.
Até a última atualização, não havia manifestação pública do Cidadania ou da Câmara Municipal de Sumaré sobre a prisão e as acusações. As defesas de Hélio Silva e de Maikon, outro investigado citado no caso, também não haviam sido localizadas.





