2026_02_25_Unimed_Circuito_banner_site_mobile_jornal_Max_Março_970x323px

Câmara aprova compra de R$ 2,1 milhões sob questionamentos técnicos e dúvidas sobre real necessidade

A Câmara Municipal de São Lourenço aprovou o projeto que autoriza a Prefeitura a adquirir um terreno no valor de R$ 2,1 milhões para o desvio do curso do Córrego Esperança e a construção de uma barragem de contenção. Logo após a apresentação do tema, os vereadores que votaram contra já deixaram claro o posicionamento: questionaram a localização do imóvel em Área de Preservação Permanente (APP), a ausência de licença ambiental prévia, o valor considerado elevado da compra e, principalmente, a falta de comprovação formal da viabilidade técnica antes da aquisição. Mesmo diante das críticas, a proposta foi aprovada por oito votos favoráveis e quatro contrários.

Enviada pelo Executivo, a justificativa é de que a medida busca solucionar os recorrentes alagamentos nas ruas Ledo, Adelaide Vassalo, Roque Pinheiro e adjacências. Segundo a Prefeitura, os recursos sairão do Fundo Especial de Investimentos para Obras de Saneamento (FEIOS).

WhatsApp Image 2026 03 03 at 18.08.49 Câmara aprova compra de R$ 2,1 milhões sob questionamentos técnicos e dúvidas sobre real necessidade

Entre os argumentos favoráveis, foi citado o estudo de macrodrenagem elaborado pela Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), por meio do NEIRU, apontando a necessidade de contenção da água da chuva na região onde está localizado o imóvel.

Mas foi justamente em torno desse estudo que se concentrou parte das divergências. O vereador Hebert Lima, um dos que votaram contra, afirmou que, de acordo com os levantamentos da própria UNIFEI, não seria necessária a compra do terreno. Segundo ele, o trabalho técnico poderia ser executado utilizando a rua próxima ao imóvel, evitando o gasto milionário. Para o parlamentar, antes de autorizar a compra, seria indispensável apresentar de forma detalhada a viabilidade técnica da solução proposta.

O debate também se estendeu para fora do plenário. Em suas redes sociais, a vereadora Daniela Bacha comparou a possível desapropriação do terreno com a situação do “Beco 901”, comunidade que há anos enfrenta problemas de inundação. Ela ainda alertou que o plano de macrodrenagem não estaria disponível integralmente para análise da Câmara, o que, segundo ela, limita a transparência e a profundidade da discussão.

Apesar das críticas, o projeto foi aprovado e agora segue para sanção do Executivo. A promessa é de solução para um problema histórico, o questionamento que permanece é se a alternativa escolhida é, de fato, a mais eficiente e economicamente responsável para o município.

Imagem: Redes sociais / Prefeito de São Lourenço

.