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CONSTATAÇÕES PERANTE A MEDIOCRIDADE

As estreias do Brasil em copas do mundo costumam deixar mais dúvidas que certezas. No pentacampeonato, vitória no apagar das luzes contra a Turquia. Em 2010, vitória sofrida contra a sofrível Coreia do Norte. Nem quando foi sede, em 2014, escapou do sufoco. Um gol contra de Marcelo, logo no início do jogo, deu um convincente prelúdio do desastre que seria o fim daquela copa para a nossa seleção.

Sei que lembrar da copa que nos rendeu a maior vergonha da nossa história futebolística pode causar desespero em muitos, mas o jogo de sábado força conexão com aquela aberração de 12 anos atrás. O Brasil foi a campo enfrentar o Marrocos, que desde a última Copa, já não possui mais o status de azarão. Afinal, em pleno 2026, está explícito que não existe mais bobo no futebol, com exceção aos saudosistas e usuários ferrenhos de Sofa Score.

Os primeiros 30 minutos foram catastróficos. Um choque de realidade. A ineficiência do meio campo brasileiro, especialmente do veterano Casimiro, era perceptível ao mais leigo espectador. Uma desatenção da zaga fez com que o Brasil saísse atrás no placar logo de início. Isso não seria um problema, senão pela escalação questionável do italiano Carlo Ancelotti. A entrada de Igor Thiago como titular, devido a péssima atuação do atleta na partida anterior, já era preocupante. Mas ao ver o atacante cumprir com excelência a função de menos um em campo, conceito criado pelo programa humorístico “Falha de Cobertura”, sua participação na partida tomou proporções tragicômicas.

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Foto: Darrian Traynor

Mas seria injusto colocar constatações veementes apenas sobre o estreante Igor Tiago. Afinal, a mediocridade desse time é generalizada. Raphinha, um atleta que a cada declaração demonstra estar mais desinteressado em jogar pela seleção canarinho, entregou tudo que seu semblante transparece: nada. A lateral direita, órfã de qualquer alternativa após a lesão de Wesley, foi preenchida por um Ibañez improvisado, que como esperado, não funcionou.

Apesar de tudo, há observações positivas a serem ditas. Danilo e Fabinho, que entraram no segundo tempo, deram mais dinamismo à equipe. Douglas Santos performou acima do esperado na lateral esquerda. Vinícius Júnior, constantemente criticado por desempenho abaixo de seu potencial, empatou a partida com um golaço, e foi responsável por grande parte das jogadas perigosas do Brasil.

Todas essas trufas poderiam ter sido potencializadas. Afinal, havia um jogador no banco de reservas com poder de decisão, e mais importante, que detém apoio popular. Mas, outra vez, as convicções do treinador sobressaíram sobre a opinião pública. A não entrada de Endrick é um ataque ao bom senso, e causa ainda mais desconfiança do povo sobre as dinâmicas internas da seleção.

Enfim, o empate deixa um sabor amargo. Não pelo resultado em si, mas pela atuação aquém do esperado. O baque ocorreu, e agora, cabe a nós confiar na narrativa que mais nos convém. Seria o tropeço na estreia um fenômeno dos campeões mundiais, como a Argentina de 2022 e a Espanha de 2010? Seria esse um prefácio de mais uma campanha medíocre do Brasil? Enfim, penso que devemos sair do campo teórico e vir para o empírico. Por agora, Endrick titular e uma mudança de postura já me deixariam mais tranquilo.

Rumo ao Hexa.

Por Daniel Gannam Lage Ribeiro

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