A proposta de mudança da denominação da tradicional Ponte do Ramon para Ponte Vitantonio Fiore, prevista no Projeto de Lei nº 41/2026 em tramitação na Câmara Municipal de São Lourenço, tem gerado manifestações de descendentes de famílias ligadas à história do município.
Em carta encaminhada aos vereadores, um bisneto de Ramon Fernandes Lopes solicita que a matéria seja reavaliada à luz de documentos históricos e jurídicos que, segundo ele, merecem ser considerados antes da votação definitiva do projeto.
De acordo com o documento, a principal preocupação é a preservação da memória histórica local e a manutenção de uma denominação que há décadas integra a identidade geográfica e cultural do município.

Questionamentos sobre registros históricos
Na manifestação encaminhada ao Legislativo, o autor destaca que a justificativa do projeto menciona a participação de Vitantonio Fiore na cessão de áreas destinadas à construção do aeroporto local. Entretanto, segundo a documentação apresentada, a Escritura Pública de Doação datada de 7 de maio de 1938 aponta que a transferência ocorreu mediante condições específicas, incluindo encargos, cláusulas de reversão e indenização financeira pelas benfeitorias existentes na área.
Por outro lado, o texto sustenta que Ramon Fernandes Lopes teria destinado terras necessárias para obras de interesse público sem solicitar compensação financeira, em uma iniciativa voltada ao desenvolvimento regional.
Ponte integra patrimônio histórico da cidade
Outro ponto destacado na carta refere-se à origem da Ponte do Ramon. Conforme os relatos apresentados, a estrutura teria sido construída na década de 1930 pelo Governo Federal, juntamente com a conhecida Ponte da Federal, em um período marcado pela expansão da infraestrutura regional.
Segundo o documento, a denominação da ponte está diretamente associada à trajetória de Ramon Fernandes Lopes e permanece presente em diversos referenciais históricos da cidade, como a Via Ramon, a Parada Ramon, a Fazenda Ramon e o Hotel Fazenda Ramon.
Para os familiares, a alteração do nome poderia representar a descaracterização de um importante marco histórico consolidado ao longo de quase um século na memória coletiva dos são-lourencianos.
Debate também envolve questão jurídica
A correspondência encaminhada aos parlamentares também levanta uma discussão sobre a competência legal para a alteração da denominação da ponte.
Conforme argumentado, a estrutura está localizada na rodovia MGC-383, de jurisdição estadual. Dessa forma, os requerimentos apresentados solicitam esclarecimentos sobre eventual municipalização do bem público, questionando se o município possui competência legal para legislar sobre sua nomenclatura.
Reconhecimento a Vitantonio Fiore
Apesar dos questionamentos ao projeto, o autor da carta ressalta que a família não se opõe às homenagens destinadas a Vitantonio Fiore. O entendimento apresentado é que seu legado merece reconhecimento público, mas que tal homenagem poderia ocorrer em outro espaço ou equipamento público que possua relação direta com sua trajetória e contribuição para o desenvolvimento de São Lourenço.
Ao final da manifestação, o descendente de Ramon Fernandes Lopes solicita que os vereadores analisem a matéria com cautela, sensibilidade e compromisso com a preservação da memória histórica do município, considerando os documentos e informações já protocolados junto à Câmara Municipal.
O Projeto de Lei nº 41/2026 segue em tramitação e deverá continuar sendo debatido pelos vereadores antes de uma decisão definitiva sobre a alteração da denominação da tradicional Ponte do Ramon.
Foto: Acervo da Família



