O motorista do ônibus que caiu em uma ribanceira em Cruzeiro, no interior de São Paulo, afirmou à Polícia Civil que perdeu o controle do veículo após enfrentar problemas durante a descida da serra. O acidente aconteceu no domingo (20), deixou seis pessoas mortas e outras 42 feridas.
Lammounier Domingos Botelho Naves, de 38 anos, contou em depoimento que conduzia o ônibus em terceira marcha quando iniciou a descida. Ao se aproximar de uma curva, tentou reduzir para a segunda marcha, mas não conseguiu fazer a troca.
Segundo o motorista, logo depois ele acionou o freio, mas o pedal teria afundado. Ele também percebeu uma queda na pressão do sistema de ar do veículo.
“Eu fui engatar a marcha segunda, não engatava, não engatava. Aí eu fui na hora que eu pisei no freio, o freio afundou e o ponteiro baixou do ar”, relatou.
O ônibus transportava 48 romeiros que haviam saído de Itumirim, em Minas Gerais, com destino a Aparecida. O veículo saiu da pista na Rodovia Doutor Avelino Júnior (SP-052) e caiu de uma altura aproximada de 15 metros.
Tentativa de evitar a queda
De acordo com Lammounier, ele tentou controlar o ônibus depois de perceber que os freios não estavam funcionando como esperado.
O motorista afirmou que direcionou o veículo para o lado do barranco na tentativa de interromper o deslocamento. No entanto, segundo seu relato, o ônibus derrapou e acabou seguindo em direção à ribanceira.
Marcas deixadas pelos pneus foram encontradas na pista e serão consideradas na reconstrução da dinâmica do acidente.
A Polícia Civil também investiga a velocidade do ônibus no momento anterior à queda.
Histórico do ônibus também está na investigação
Durante o interrogatório, o delegado Rubens Luiz Fonseca H. Melo questionou Lammounier sobre registros anteriores envolvendo o estado de conservação do veículo.
Segundo a polícia, o ônibus havia recebido duas ou três autuações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em maio deste ano. As ocorrências estariam relacionadas às condições de conservação e ao descumprimento de determinações durante fiscalização.
O motorista confirmou que o ônibus havia sido abordado no Rio de Janeiro. Ele explicou que, naquela ocasião, o veículo apresentou um problema no diferencial e que havia solicitado atendimento mecânico e um guincho.
Lammounier afirmou ainda que não se lembrava de problemas graves apontados na fiscalização e disse acreditar que algumas das autuações poderiam estar relacionadas a itens como uma lanterna.
Outro ponto que será analisado é o estado dos pneus. A Polícia Civil identificou um pneu com sinais de desgaste e pretende submetê-lo a perícia.
Questionado sobre o componente, o motorista afirmou que não tinha conhecimento de um desgaste anterior e declarou que o pneu teria ficado naquela condição durante o acidente.
Teste de álcool deu negativo
Durante o depoimento, o delegado informou a Lammounier que o teste para verificar a presença de álcool havia apresentado resultado negativo.
A informação integra a investigação sobre as circunstâncias do acidente, que também deve analisar as condições mecânicas do ônibus e outros fatores que possam ter contribuído para a perda de controle.
O motorista afirmou ter 19 anos de experiência na condução de ônibus. Ele também contou que a embreagem do veículo havia sido substituída cerca de 15 dias antes da viagem.
Motorista foi solto após audiência de custódia
Após prestar depoimento, Lammounier foi preso em flagrante e permaneceu à disposição da Justiça.
Na segunda-feira (21), ele passou por audiência de custódia e recebeu liberdade provisória. O motorista deverá responder em liberdade por homicídio culposo e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, com agravante por exercer atividade profissional de transporte de passageiros.
Ao terminar o depoimento, Lammounier pediu perdão aos familiares das vítimas e afirmou que tentou evitar a tragédia.
“Pedir perdão às vítimas, que não foi culpa minha. Eu fiz de tudo para segurar esse ônibus”, declarou.
A Polícia Civil continua investigando o caso. Os laudos periciais deverão ajudar a determinar se houve falha mecânica e quais fatores contribuíram para que o ônibus saísse da pista e caísse na ribanceira.




