Um caso de suposta importunação sexual registrado dentro de um hospital de São Lourenço tem gerado repercussão na região e levantado debates sobre segurança e respeito no ambiente de trabalho. A denúncia foi feita por uma enfermeira de 26 anos, que afirma ter sido vítima de um episódio envolvendo um médico durante um plantão realizado no último sábado.
Segundo o relato da profissional, o episódio ocorreu quando ela foi chamada pelo médico para um consultório da unidade hospitalar. De acordo com a versão apresentada à Polícia Militar, ao entrar no local ela teria sido surpreendida por uma abordagem inadequada. A enfermeira afirma que o médico trancou a porta, tentou forçar um contato físico e um beijo, situação que a levou a pedir que ele parasse. Após a porta ser aberta, ela deixou o consultório.
Em entrevista, a profissional relatou os impactos emocionais causados pelo episódio. Segundo ela, o medo de julgamentos, exposição pública e possíveis consequências profissionais fizeram parte dos momentos que se seguiram à denúncia.
A enfermeira também afirmou que, ao longo do plantão, teria ocorrido outro episódio considerado por ela desrespeitoso. Segundo seu relato, o médico a abraçou e fez comentários sobre sua aparência diante de outras pessoas presentes no hospital.
Após o acionamento da Polícia Militar, o médico foi conduzido e preso em flagrante dentro da unidade de saúde. No entanto, ele foi liberado posteriormente após audiência de custódia, seguindo os trâmites legais previstos pela legislação brasileira.
Familiares da enfermeira manifestaram indignação com a rápida liberação do profissional e defenderam que o caso seja apurado com rigor pelas autoridades competentes.

Versão apresentada pelo médico
No boletim de ocorrência, o médico apresentou uma versão diferente dos fatos. Segundo ele, a conversa no consultório ocorreu em razão de assuntos relacionados ao trabalho e não houve qualquer ato de natureza sexual.
O profissional afirmou que comentou sobre uma cesta de flores recebida pela enfermeira e que, em determinado momento, teria solicitado um abraço, pedido que foi recusado. Ainda conforme sua versão, ambos deixaram o consultório normalmente após a conversa.
Por meio de seu advogado, o médico negou qualquer prática de importunação sexual e declarou confiar que sua inocência será demonstrada ao longo das investigações.
Outros relatos surgem após divulgação do caso
Após a repercussão da denúncia, uma ex-funcionária do hospital também tornou público um relato sobre uma situação que afirma ter vivenciado anos atrás dentro da instituição, envolvendo outro profissional da área da saúde.
Segundo seu depoimento, ela teria sido vítima de uma abordagem física não consentida durante um período de descanso em um plantão noturno. A ex-funcionária afirma que conseguiu deixar o local e, posteriormente, enfrentou dificuldades emocionais e profissionais após o ocorrido.
Até o momento, não há informação de que o relato tenha relação direta com a denúncia atual ou com o médico investigado neste caso.
Posicionamento das instituições
Em nota oficial, o Hospital São Lourenço informou que acompanha o caso e ressaltou que não tolera qualquer forma de assédio, violência ou comportamento incompatível com o ambiente profissional. A instituição também informou que não localizou registros formais relacionados ao caso relatado pela ex-funcionária.
O Conselho Regional de Enfermagem informou que recebeu a denúncia e acompanha os desdobramentos da investigação. Já o Conselho Regional de Medicina declarou que situações dessa natureza são apuradas dentro dos procedimentos legais e sob sigilo.
O Consórcio Intermunicipal de Saúde, responsável pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) na região, informou não possuir registros de denúncias anteriores contra o médico. A Prefeitura de Lambari comunicou que o profissional foi desligado de suas funções no município após a repercussão do caso e que foi instaurada uma apuração administrativa.
Investigação continua
O caso segue sob investigação das autoridades competentes, que deverão analisar depoimentos, provas e demais elementos para esclarecer os fatos.
Enquanto aguarda o andamento do processo, a enfermeira afirma que decidiu tornar pública sua denúncia para incentivar outras mulheres a buscarem ajuda e denunciarem situações que considerem abusivas. Já a defesa do médico sustenta que as acusações não correspondem à realidade e que os esclarecimentos serão apresentados durante o curso da investigação.
Como em toda investigação em andamento, a responsabilidade dos envolvidos somente poderá ser definida após a conclusão dos procedimentos legais e eventual decisão da Justiça.
Reportagem: G1 Sul de Minas
Foto: Hospital de São Lourenço







