01-DEZ-25

Corpo de menino de 7 anos é encontrado após 42 horas de buscas no Rio Mandu, em Pouso Alegre

Foi encontrado na manhã deste sábado (17) o corpo do garoto João Miguel, de 7 anos, que estava desaparecido desde a última quinta-feira (15) após ser levado por uma enxurrada no bairro Jardim Primavera, em Pouso Alegre, no Sul de Minas. O menino foi localizado no Rio Mandu depois de 42 horas de intensas buscas realizadas por equipes do Corpo de Bombeiros e voluntários.

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, as buscas começaram ainda na tarde de quinta-feira, logo após o desaparecimento da criança, e se estenderam durante toda a sexta-feira e madrugada deste sábado. As equipes percorreram trechos do córrego que corta o bairro e áreas do leito do Rio Mandu, utilizando embarcações, equipamentos de mergulho e varreduras nas margens.

De acordo com informações apuradas, João Miguel nadava no córrego conhecido como Mina João Paulo II, acompanhado do irmão de 9 anos e de um amigo de 10, quando o volume da água aumentou rapidamente em razão da forte chuva que atingiu a cidade. Em poucas horas, foram registrados mais de 50 milímetros de precipitação, o que provocou uma enxurrada repentina no local.

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o menino é levado pela correnteza e sugado por uma manilha que não possui grade de proteção. Em outro vídeo, é possível ver um dos garotos gritando por ajuda, enquanto o outro corre até a casa de um vizinho, que conseguiu resgatar uma das crianças.

O corpo de João Miguel foi encontrado a alguns quilômetros do ponto onde ele desapareceu, já no trecho do Rio Mandu. A Polícia Civil foi acionada para realizar os procedimentos de praxe, e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal.

Em meio à dor da perda, a família do menino cobra providências do poder público, principalmente pela falta de proteção no local do acidente. Segundo os familiares, o trecho do córrego onde ocorreu a tragédia não possui grades, barreiras ou sinalização que impeçam o acesso de crianças, apesar do risco representado pela manilha e pelo aumento rápido do nível da água em períodos de chuva.

“Se houvesse uma grade de proteção, talvez isso não tivesse acontecido. Outras crianças podem se machucar ou morrer aqui”, disse um familiar, emocionado.

A Prefeitura de Pouso Alegre informou, por meio de nota, que acompanha o caso e que irá avaliar intervenções no sistema de drenagem do bairro Jardim Primavera, além de estudar medidas para instalar proteções físicas, reforçar a sinalização e reduzir os riscos em áreas consideradas perigosas.

O caso reacende o alerta para os perigos das chuvas intensas, especialmente em locais próximos a córregos, bocas de lobo e galerias pluviais. As autoridades orientam que, durante temporais, crianças sejam mantidas longe de áreas com correnteza e que a população evite circular por pontos sujeitos a enxurradas.

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