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Atraso no pagamento de médicos gera preocupação sobre atendimento no pronto-socorro de Lambari

unnamed Atraso no pagamento de médicos gera preocupação sobre atendimento no pronto-socorro de LambariMédicos que prestam atendimento no pronto-socorro de Lambari, no Sul de Minas, afirmam estar com salários atrasados desde junho e demonstram preocupação com a possibilidade de saída de profissionais da unidade. Segundo os relatos, os pagamentos eram de responsabilidade de uma empresa terceirizada contratada pelo município.

As reclamações também partem de pacientes. O trabalhador rural Valdeci Haroldo de Oliveira relatou ter esperado aproximadamente duas horas pelo atendimento. Segundo ele, situações semelhantes já teriam ocorrido anteriormente.

“Mais ou menos umas 6h40. Estou aqui até agora, plantado aqui. Fiz a ficha ali, mas até agora não apareceu médico nenhum”, contou.

O paciente afirmou ainda que, em outra ocasião, decidiu deixar a unidade sem ser atendido por causa da demora.

“Eu tenho labirintite. Vim aqui outro dia, cansei de esperar, não apareceu ninguém, saí e fui embora para casa”, relatou.

De acordo com profissionais ouvidos pela reportagem, a empresa responsável pelos serviços médicos informou que os pagamentos dependiam de repasses da Prefeitura de Lambari. Os médicos afirmam que receberam diferentes previsões para a regularização dos salários, mas nenhuma delas teria sido cumprida.

Um dos profissionais disse que inicialmente o pagamento estava previsto para o fim de julho. Depois, a data teria sido transferida para 10 de agosto e, posteriormente, para aproximadamente 10 de setembro.

“Já é a terceira vez que eles nos dão uma data”, afirmou.

Dados disponíveis no Portal da Transparência da Prefeitura de Lambari mostram que, até agosto deste ano, o município havia efetuado pagamentos superiores a R$ 1,432 milhão à RCS Eireli. O sistema também registra mais de R$ 2 milhões empenhados para o contrato.

Em nota, a Prefeitura de Lambari informou que encerrou, neste mês, o contrato com a empresa responsável pelos serviços médicos. Segundo a administração municipal, os valores previstos no acordo haviam se tornado incompatíveis com a realidade financeira do município.

A prefeitura também informou que iniciou um novo processo para contratação de serviços médicos em 4 de agosto. O procedimento, entretanto, foi suspenso no dia 18 de agosto e permanece nessa condição.

Ainda segundo o município, após tomar conhecimento dos pagamentos pendentes, houve uma conversa com a empresa contratada para buscar uma solução para a situação. A administração afirma que o encaminhamento definido foi repassado aos médicos.

A prefeitura acrescentou que uma nova empresa já foi contratada e que a mudança deve representar uma economia de aproximadamente R$ 40 mil mensais aos cofres públicos. O município, porém, não informou o nome da empresa nem apresentou, na nota, detalhes sobre o processo de contratação.

Um dos médicos entrevistados afirmou que decidiu deixar a escala de atendimento diante da situação. Segundo ele, a continuidade dos atrasos pode tornar mais difícil a contratação e permanência de profissionais no município.

“Cada vez menos médicos vão querer trabalhar em Lambari”, afirmou.

O profissional também demonstrou preocupação com os impactos que uma eventual redução no número de médicos poderia provocar no atendimento à população, destacando a importância do pronto-socorro para os moradores da cidade.

“Quem acaba pagando o preço disso tudo é a população”, declarou.

Segundo o médico, há ainda profissionais que estariam aguardando pagamentos referentes a períodos anteriores.

Apesar das denúncias, a Prefeitura de Lambari afirmou que o pronto-socorro continua funcionando normalmente, sem interrupção dos atendimentos e sem redução no número de profissionais.

A reportagem procurou a RCS Soluções, empresa que anteriormente mantinha contrato com o município, para obter um posicionamento sobre os pagamentos e as acusações apresentadas pelos médicos. Até a última atualização, não houve resposta.

A Câmara Municipal de Lambari também encaminhou um ofício à prefeitura solicitando esclarecimentos sobre a situação envolvendo os pagamentos dos profissionais.

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