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O ÚLTIMO APLAUSO: GLÓRIA MENEZES DEIXA OS PALCOS E A HISTÓRIA DO TEATRO BRASILEIRO MAIS POBRE

gloria menezes.jpg O ÚLTIMO APLAUSO: GLÓRIA MENEZES DEIXA OS PALCOS E A HISTÓRIA DO TEATRO BRASILEIRO MAIS POBREO teatro e a teledramaturgia brasileira perderam ontem uma das suas fundações mais sólidas. A atriz Glória Menezes faleceu nesta terça-feira, 18 de agosto de 2026, aos 91 anos, em Copacabana. Ela partiu de causas naturais, deixando um legado que se confunde com a própria biografia da arte dramática no país.
A sua despedida encerra em definitivo a era de ouro dos grandes casais do espetáculo nacional, ocorrendo cinco anos após a morte do seu eterno companheiro de vida e arte, Tarcísio Meira.
Nascida em Pelotas (RS) como Nilcedes Soares de Magalhães, Glória não era apenas uma estrela de televisão; ela era uma mulher de teatro. A sua formação rigorosa começou na Escola de Arte Dramática (EAD) da Universidade de São Paulo (USP).
A sua estreia profissional aconteceu em 1959 na peça As Feiticeiras de Salém, dirigida por Antunes Filho. Pouco depois, ingressou no mítico Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), o epicentro da modernização do teatro no país. No palco, Glória refinou a sua técnica e desenvolveu a presença de cena magnética que, mais tarde, conquistaria as telas de cinema e os lares de milhões de brasileiros.
Uma Trajetória de Grandes Textos
Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Glória recusou-se a ficar presa ao formato televisivo, regressando aos palcos regularmente para desafiar a si mesma com personagens complexas:
  • Clássicos e Drama: Brilhou em montagens marcantes como Tudo Bem no Ano Que Vem e A Procura de uma Linha de Três.
  • Parceria Histórica: Ao lado de Tarcísio Meira, protagonizou peças de grande sucesso de público e crítica, como O Céu Que Vem Descer e E Continua Tudo Bem.
  • Último Ato: A sua última grande incursão teatral ocorreu com a peça Ensina-me a Viver (2015), onde interpretou a excêntrica e apaixonante Maude, uma celebração poética da liberdade e da própria vida.
O Luto na Classe Artística
Para diretores, dramaturgos e colegas de elenco, a perda de Glória Menezes deixa um vazio irreparável no fazer teatral. Ela era vista como uma mentora generosa para as novas gerações e um símbolo de dignidade profissional.
“Glória trazia o teatro na voz e na postura. Mesmo na televisão, a sua entrega tinha a grandiosidade do palco”, declarou um dos seus antigos diretores em homenagem consensual na classe artística.
O corpo da atriz será velado numa cerimónia íntima para a família. O teatro brasileiro, este, cumpre um minuto de silêncio respeitoso, seguido por uma salva de palmas de pé que ecoará para sempre na história da nossa cultura.

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